Nova Friburgo recebeu representantes da vigilância sanitária estadual e municipal, do CRF-RJ e da Ascoferj. Piso salarial ético para farmacêuticos e serviços de saúde foram os temas que mais causaram polêmica
Mantendo decisão de capacitar profissionais do interior do estado do Rio de Janeiro, a distribuidora Prosper realizou ontem (20 de maio) mais um evento, desta vez em Nova Friburgo, região serrana. O debate, ocorrido na Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), teve o mesmo formato do anterior e colocou representantes da Vigilância Sanitária estadual e municipal, Conselho Regional de Farmácia do Estado do Rio de Janeiro (CRF-RJ) e Associação do Comércio Farmacêutico do Estado do Rio de Janeiro (Ascoferj) frente a frente com mais de 50 profissionais do comércio farmacêutico, entre empresários, farmacêuticos e atendentes de balcão.
O debate, mediado pela jornalista Viviane Massi, começou com o tema gripe suína. Segundo a diretora da Divisão de Medicamentos da Vigilância Sanitária do Estado do Rio de Janeiro, Marilia Alvim, não há razões para medo. A Visa fez uma forte barreira para impedir a entrada do vírus. Questionada sobre o que as farmácias e drogarias devem fazer se forem procuradas por consumidores que suspeitam estar com Influenza A, Marilia limitou-se a responder que, se houver necessidade, as orientações serão dadas aos estabelecimentos no momento certo.
Em seguida, o tema mais polêmico foi colocado em pauta: piso salarial ético para farmacêuticos, recomendado recentemente pelo CRF-RJ. O vice-presidente do Conselho, Marcus Athila Romano, disse que a entidade está fazendo a parte dela para valorizar a categoria. “O farmacêutico passou anos na faculdade, estudou diversas disciplinas, se preparou. Com apenas R$ 1,2 mil não é possível se sustentar”, criticou.
Confrontado pelo advogado e especialista em legislação sanitária Gustavo Semblano, quando este afirmou que o Conselho não pode fixar piso salarial e que os estabelecimentos não são obrigados a segui-lo, o vice-presidente ressaltou que o CRF-RJ “não fixou piso”, mas recomendou que a categoria exija melhores salários dos empregadores.
O diretor do Núcleo Ascoferj Região Serrana, Luis Carlos de Souza, alegou que farmácias e drogarias não têm condições de seguir o piso ético, principalmente em função da alta carga tributária que incide sobre a folha de pagamento. Por outro lado, concordou que os profissionais merecem ser melhor remunerados, ainda mais agora que desempenham outros papéis dentro da farmácia. “Antes, o farmacêutico só aparecia na farmácia para assinar livro. Hoje não é mais assim”, disse.
Vigilância sanitária de Nova Friburgo não é municipalizada
Outro assunto que também se destacou foi a questão da municipalização das ações de vigilância sanitária em Nova Friburgo. Segundo a representante da Visa local, Soraya Babo, ainda não foi possível colocar o assunto na pauta das reuniões da CIB (Comissão Intergestora Bipartide). Sem aprovação da CIB, não é possível descentralizar. Com isso, farmácias e drogarias precisam se deslocar até o Rio de Janeiro para obter licença sanitária. Os fiscais, por sua vez, saem da capital para fiscalizar em Nova Friburgo.
Segundo Marilia Alvim, Visa estadual e municipal estão fazendo levantamento de todos os estabelecimentos existentes em Nova Friburgo para que os fiscais locais, sob autorização e supervisão da Visa estadual, possam realizar inspeções até que a situação se resolva definitivamente.
Após o debate, a Prosper ofereceu coffee-break e realizou sorteios. O próximo debate será no Rio de Janeiro, no dia 24 de junho.